Literatura Contemporânea

Arte vertical – Construção psicológica de personagens

Objetividade – literatura sem adereços, incisiva.

Intersecção de gêneros literários.

Uso frequente de intertextualidades e metalinguagens.

Convivência de várias tendências estéticas: escolas simultâneas de arte.

Prosa reducionista: microcontos; pequenas crônicas.

Reflexão sobre os mais inquietantes problemas sociais e individuais.

Atenção às menores e mínimas manifestações cotidianas.

Miscigenação de arte popular e erudita:

multiplicação de extratos culturais permitiu a sofisticação da arte popular.

Exemplos:

            São Paulo vai se recensear. O governo quer saber quantas pessoas governa. A indagação atingirá a fauna e a flora domesticadas. Bois, mulheres e algodoeiros serão reduzidos a números e invertidos em estatísticas. O homem do censo entrará pelos bangalôs, pelas pensões, pelas casas de barro e de cimento armado, pelo sobradinho e pelo apartamento, pelo cortiço e pelo hotel, perguntando:

            — Quantos são aqui?
            Pergunta triste, de resto. Um homem dirá:
            — Aqui havia mulheres e criancinhas. Agora, felizmente, só há pulgas e ratos.

            E outro:
            — Amigo, tenho aqui esta mulher, este papagaio, esta sogra e algumas baratas. Tome nota dos seus nomes, se quiser. Querendo levar todos, é favor… (…)

            E outro:
            — Dois, cidadão, somos dois. Naturalmente o sr. não a vê. Mas ela está aqui, está, está! A sua saudade jamais sairá de meu quarto e de meu peito!

Rubem Braga. Para gostar de ler. São Paulo: Ática, 1998 (fragmento).

            Tão me devendo colégio, namorada, aparelho de som, respeito, sanduíche de mortadela no botequim da rua Vieira Fazenda, sorvete, bola de futebol.
            Fico na frente da televisão para aumentar o meu ódio. Quando minha cólera está diminuindo e eu perco a vontade de cobrar o que me devem eu sento na frente da televisão e em pouco tempo meu ódio volta. Quero muito pegar um camarada que faz anúncio de uísque. Ele está vestidinho, bonitinho, todo sanforizado, abraçado com uma loura reluzente, e joga pedrinhas de gelo num copo e sorri com todos os dentes, os dentes dele são certinhos e são verdadeiros, e eu quero pegar ele com a navalha e cortar os dois lados da bochecha até as orelhas, e aqueles dentes branquinhos vão todos ficar de fora num sorriso de caveira vermelha. Agora está ali, sorrindo, e logo beija a loura na boca. Não perde por esperar.
            Meu arsenal está quase completo: tenho a Magnum com silenciador, um Colt Cobra 38, duas navalhas, uma carabina 12, um Taurus 38 capenga, um punhal e um facão. Com o facão vou cortar a cabeça de alguém num golpe só. Vi no cinema, num desses países asiáticos, ainda no tempo dos ingleses­ um ritual que consistia em cortar a cabeça de um animal, creio que um búfalo, num golpe único. Os oficiais ingleses presidiam a cerimônia com um ar de enfado, mas os decapitadores eram verdadeiros artistas. Um golpe seco e a cabeça do animal rolava, o sangue esguichando.

Rubem Fonseca. O Cobrador. 1979 (fragmento).

            Morrer, já sei. Comer, também. De vez em quando, ir atrás de preá, caruá. Roer osso de tatu. Adivinhar quando a coceira é só uma coceira, não uma doença. Tenha santa paciência!

            Será que eu preciso mesmo garranchear meu nome? Desenhar só pra mocinha aí ficar contente? Dona professora, que valia tem o meu nome numa folha de papel, me diga honestamente. Coisa mais sem vida é um nome assim, sem gente. Quem está atrás do nome não conta?

            No papel, sou menos ninguém do que aqui, no Vale do Jequitinhonha. Pelo menos aqui todo mundo me conhece. Grita, apelida. Vem me chamar de Totonha. Quase não mudo de roupa, quase não mudo de lugar. Sou sempre a mesma pessoa. Que voa.

            Para mim, a melhor sabedoria é olhar na cara da pessoa. No focinho de quem for. Não tenho medo de linguagem superior. Deus que me ensinou. Só quero que me deixem sozinha. Eu e minha língua, sim, que só passarinho entende, entende?

            Não preciso ler, moça. A mocinha que aprenda. O doutor. O presidente é que precisa saber o que assinou. Eu é que não vou baixar minha cabeça para escrever.

            Ah, não vou.

Marcelino Freire. Totonha. 2005 (fragmento).
MOSCA DEPENDURADA – Manoel de Barros

Mosca dependurada na beira de um ralo –

Acho mais importante do que uma joia pendente.

Os pequenos invólucros para múmias de passarinhos

que os antigos egípcios faziam

Acho mais importante do que o sarcófago de Tutancâmon.

O homem que deixou a vida por se sentir um esgoto –

Acho mais importante do que uma Usina Nuclear.

Aliás, o cu de uma formiga

é também muito mais importante do que uma Usina Nuclear.

As coisas que não têm dimensões são muito importantes.

Assim, o pássaro tu-you-you é mais importante

por seus pronomes do que por seu tamanho de crescer.

É no ínfimo que eu vejo a exuberância.

MATÉRIA DE POESIA - Manoel de Barros (fragmento)

Todas as coisas cujos valores podem ser
disputados no cuspe à distância
servem para a poesia

O homem que possui um pente
e uma árvore
serve para poesia

Terreno de 10×20, sujo de mato – os que
nele gorjeiam: detritos semoventes, latas
servem para poesia

As coisas que não levam a nada
têm grande importância

Cada coisa ordinária é um elemento de estima

As coisas que não pretendem, como
por exemplo: pedras que cheiram
água, homens
que atravessam períodos de árvore,
se prestam para poesia

Tudo aquilo que nos leva a coisa nenhuma
e que você não pode vender no mercado
como, por exemplo, o coração verde
dos pássaros,
serve para poesia

Tudo aquilo que a nossa
civilização rejeita, pisa e mija em cima,
serve para poesia

HISTÓRIA – Fabrício Corsaletti

Na cidade em que nasci

havia um bicho morto em cada sala

mas nunca se falou a respeito

os meninos cavávamos buracos nos quintais

as meninas penteavam bonecas

como em qualquer lugar do mundo

nas salas o bicho morto apodrecia

as tripas cobertas de moscas

(os anos cobertos de culpas)

e ninguém dizia nada

mais tarde bebíamos cerveja

as brincadeiras eram junto com as meninas

a noite aliviava o dia

das janelas o sangue podre

(ninguém tocava no assunto)

escorria lento e seco

e a cidade fedia era já insuportável

 

parti à noite     despedidas de praxe

embora sem dúvidas chorasse

INUTILIDADES DOMÉSTICAS - Alberto Martins

Joguei no lixo

A velha fechadura

Do quarto das crianças

 

As portas

Que ela trancou

E abriu

Os risos que ouviu

Não ouviu

Agora são – lembranças

 

Só as chaves não sabem

E vagam pela casa

De gaveta em gaveta

EMERGÊNCIA - Mário Quintana.

Quem faz um poema abre uma janela.
Respira, tu que estás numa cela
abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
- para que possas profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.

ANINHA E SUAS PEDRAS - Cora Coralina

Não te deixes destruir...
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.
Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha
um poema.
E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que hão de vir.
Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas
e não entraves seu uso
aos que têm sede.

Redação 3

Tema: Os cuidados com a infância de hoje para um mundo melhor no futuro

Sugestões de INTERTEXTUALIDADE:

Fabiano, de Vidas Secas, e Azarias, de Vozes Anoitecidas.

Exemplo:

       No conto “O dia em que explodiu Mabata-Bata”, do livro Vozes Anoitecidas, de Mia Couto, a avó do protagonista Azarias diz para o menino fazer um pedido ao tio como prêmio por estar com o gado arrebanhado mesmo após a explosão. O pastorzinho pede ao tio se podia “ir na escola”. E argumenta dizendo “Posso continuar ajudar nos bois. A escola só frequentamos da parte de tarde”. Ele não queria estudar para não trabalhar; queria ter a possibilidade de uma vida melhor.

Exemplos de CITAÇÕES:
 
Eu era uma criança, esse monstro que os adultos fabricam com as suas mágoas.
Jean-Paul Sartre (filósofo e escritor francês)
 
Se a criança é um porquinho, quando adulto não poderá ser outra coisa senão um porco.
Vladimir Maiakovski (poeta e dramaturgo russo)
 
É por isso que se mandam as crianças à escola: não tanto para que aprendam alguma coisa, mas para que se habituem a estar calmas e sentadas e a cumprir escrupulosamente o que se lhes ordena, de modo que depois não pensem mesmo que têm de pôr em prática as suas ideias.
Immanuel Kant (filósofo prussiano)
 
O homem chega à sua maturidade quando encara a vida com a mesma seriedade que uma criança encara uma brincadeira.
Friedrich Nietzsche (filósofo alemão)
 
Eduquem as crianças, para que não seja necessário punir os adultos.
Pitágoras (filósofo e matemático grego)

DADOS E ESTATÍSTICAS:

       Censo Escolar 2015 do IBGE: 3 milhões de crianças e jovens de 4 a 17 anos estão fora da escola.

Exemplo de INTERVENÇÃO:

       Uma escola de ensino médio profissionalizante. Com todas as disciplinas do ensino médio vestibular, porém, compactadas. O objetivo é não perder a universalidade do ensino médio vestibular, ou seja, o mundo deve ser apresentado ao aluno através da história de todas as ciências para que ele possa ter condições intelectuais de sobreviver e evoluir dignamente, e garantir uma capacitação profissional para o estudante que precisa trabalhar urgentemente.

Exemplo de ROTEIRO:

1. O Brasil tem cuidado adequadamente de suas crianças?

2. Que podemos esperar do que estamos fazendo com nossas crianças?

3. Devemos nos especializar em sistemas penitenciários e casas de ressocialização ou podemos rever nossas posturas políticas?

4. Nossa cultura em formação ainda não tem convicção do que deve ser oferecido às crianças?

5. Que pode ser feito imediatamente para começar a mudar os rumos estabelecidos pelo abandono?

Redação 1

Tema: Normalidade / Anormalidade.

Exemplo de ROTEIRO:

1. O que era normal? Ser igual?

2. Como a contemporaneidade desfez o conceito de normalidade?
As liberdade individuais intensificaram a diversidade cultural?

3. O que é normal? Ser diferente?

4. Como o mundo moderno pode ajudar a conviver com a diversidade cultural?
As manifestações artísticas ajudam os cidadãos a entender e aceitar o diferente?

5. O governo pode promover obras de arte nas escolas públicas, em horários de aulas, a fim de explicitar os mais diferentes segmentos sociais?

Literatura

Módulo 3 - Humanismo: Fernão Lopes e Gil Vicente

1434 - 1527

1434: A nomeação de Fernão Lopes inaugura o mecenato oficial.
- O desenvolvimento do comércio, o surgimento da burguesia e das cidades, o aparecimento da imprensa, a divulgação da cultura clássica e as grandes navegações.
- A crônica de Fernão Lopes; o teatro de Gil Vicente; e a Poesia Palaciana.
- O apoio oficial às artes.
- O teatro como instrumento de crítica social.
- O poema torna-se independente da música.
- Cancioneiro Geral de Garcia de Resende.

Módulo 2 - Trovadorismo: cantigas líricas e satíricas

1198 - 1434

1198: Cantiga da Ribeirinha, de Paio Soares de Taveirós.

Cantigas líricas e satíricas:
Cantigas líricas: expressão de um mundo interior, inteligível.
Cantigas satíricas: observação de um mundo exterior, sensível.

Cantigas Líricas:

Cantigas Satíricas:

Cantiga de Amor
Cantiga de Amigo

Cantiga de Escárnio
Cantiga de Maldizer

Cancioneiro da Ajuda (da Biblioteca do Palácio Nacional da Ajuda, Lisboa);
Cancioneiro da Biblioteca Nacional de Lisboa;
Cancioneiro da Vaticana (da Biblioteca do Vaticano).

Ciclos Literários

CICLO ANTROPOCÊNTRICO

Explora o mundo sensível, o mundo exterior.

CICLO MODERNISTA

Explora o mundo inteligível, o mundo interior.

476

1198

1434

1527

1601

1768

1836

Período Medieval

Trovadorismo

Humanismo

Renascimento

Barroco

Arcadismo

Romantismo

Realismo

Simbolismo

Pré-Modernismo

Modernismo

Modernismo II

Modernismo III

Pós-Modernismo

1881

1893

1902

1922

1930

1945

1958

PERÍODO MEDIEVAL
Fragmentação do Império Romano
Tu és pó e ao pó voltarás.

TROVADORISMO
Publicação da Cantiga da Ribeirinha, de Antônio Soares de Taveirós.
A Igreja deixou de ser a representante de Deus na Terra.

HUMANISMO
Nomeação de Fernão Lopes, cronista-mor do Reino.
O homem é um ser social e histórico.

RENASCIMENTO - Classicismo
Sá de Miranda traz da Itália a medida nova.
Superação dos clássicos da Antiguidade.

BARROCO
Publicação do livro Prosopopeia, de Bento Teixeira.
Não é possível cumprir os mandamentos da Lei de Deus.

ARCADISMO - Neoclassicismo
Publicação do livro Obras Poéticas, de Cláudio Manuel da Costa.
A Natureza é perfeita.

ROMANTISMO
Publicação do livro Suspiros Poéticos e Saudades, de Gonçalves de Magalhães.
O homem é o sujeito da história.

REALISMO
Publicação do livro Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.
Ninguém é perfeito.

LITERATURA

Módulo 1 – Conceitos, escolas e períodos literários.

O que é cultura?
A cultura é o modo de viver de um povo.

Como se faz uma cultura?
Uma cultura se faz no jeito como um povo resolve seus problemas.

O que é arte?
A arte é a síntese de um elemento cultural.

Por que a arte deve ser sintética?
A arte deve ser sintética para produzir um sentimento.

Por que precisamos dessa produção de sentimento?
Porque é no refinamento do sentimento que produzimos o conhecimento.

Quem é artista?
É artista quem tem uma visão bem acabada da realidade e uma cultura individual.

O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia
                                                                                             Fernando Pessoa

O que é literatura?
Literatura é arte que utiliza a palavra escrita como matéria-prima de suas criações.

O que é escola?
Escola é um jeito de escrever que predomina em uma determinada época, um modelo literário.

O que é período?
Período é a delimitação temporal em que predomina um determinado modelo literário.

Para que serve a literatura?
A literatura serve para manifestar a compreensão que o homem tem do mundo em uma determinada época e como a humanidade amplia e aperfeiçoa essa visão da realidade.