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QUESTÕES

SAGARANA

 

Guimarães Rosa

 

 

    As ancas balançam, e as vagas de dorsos, das vacas e touros, batendo com as caudas, mugindo no meio, na massa embolada, com atritos de couros, estralos de guampas, estrondos e baques, e o berro queixoso do gado junqueira, de chifres imensos, com muita tristeza, saudade dos campos, querência dos pastos de lá do sertão...

 

“Um boi preto, um boi pintado,

cada um tem sua cor.

Cada coração um jeito

de mostrar o seu amor.”

 

    Boi bem bravo, bate baixo, bota baba, boi berrando... Dança doido, dá de duro, dá de dentro, dá direito... Vai, vem, volta, vem na vara, vai não volta, vai varando...

                                                             (Sagarana, O Burrinho Pedrês)

 

1. O que é a prosa poética e como pode ser verificada no trecho acima, de Guimarães Rosa?
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2. (FUVEST) João Guimarães Rosa, em “Sagarana”, permite ao leitor observar que:

a) explora o folclórico do sertão.

b) em episódios muitas vezes palpitantes surpreende a realidade nos mais leves pormenores e trabalha a linguagem com esmero.

c) limita-se ao quadro do regionalismo brasileiro.

d) é muito sutil na apresentação do cotidiano banal do jagunço.

e) usa uma linguagem essencialmente hermética.

 

3. (FUVEST) Dentre os contos de Sagarana existe um em que o narrador sustenta um duelo literário com outro poeta, chamado Quem Será, e no qual se fazem várias considerações sobre a natureza da poesia. Numa metáfora do condicionamento do homem, resistente à aceitação do novo e diferente, o autor leva a personagem a passar por um período de cegueira. A partir daí a personagem descobre a mutilação dos sentidos, que agora se abrem a outras vertentes da realidade.

Em qual dos contos abaixo se discute essa questão?

a) "A hora e a vez de Augusto Matraga".

b) "Duelo".

c) "Conversa de bois".

d) "São Marcos".

e) "Corpo fechado".

 

4. Sobre Sagarana e João Guimarães Rosa, assinale a alternativa incorreta.

a) Publicado em 1946, Sagarana representa o incontido desejo de superar as formas modernistas em busca, principalmente, de originalidade e expressividade, não só na linguagem, mas também na ânsia do universal.

b) Procurando transcender o estritamente regional, Guimarães Rosa parte do homem simples das minas gerais para alcançar uma dimensão universal e metafísica do homem.

c) Guimarães Rosa criou personagens populares apenas como pretexto para discutir temas universais como Deus, o diabo, a vida, a solidão e a morte.

d) Embora seja o livro de estreia de Guimarães Rosa, não é difícil ver em Sagarana a pesquisa linguística e a ânsia do metafísico – que superam o estritamente local e regional.

e) Sagarana é uma coletânea de contos estruturados a partir de uma visão moderna dessa espécie literária, pois, embora apresentem os seus elementos tradicionais, os contos de Guimarães Rosa são portadores de inovações, mais precisamente nos registros linguísticos e na individualização do homem comum.

 

(PUCCAMP) As questões de números 5 e 6 referem-se ao seguinte trecho de Guimarães Rosa:

 

    "E desse modo ele se doeu no enxergão, muitos meses, porque os ossos tomavam tempo para se ajuntar, e a fratura exposta criara bicheira. Mas os pretos cuidavam muito dele, não arrefecendo na dedicação.

    – Se eu pudesse ao menos ter absolvição dos meus pecados!...

    Então eles trouxeram, uma noite, muito à escondida, o padre que o confessou e conversou com ele, muito tempo, dando-lhe conselhos que o faziam chorar.

    – Mas, será que Deus vai ter pena de mim, com tanta ruindade que fiz, e tendo nas costas tanto pecado mortal?

    – Tem, meu filho. Deus mede a espora pela rédea, e não tira o estribo do pé de arrependimento nenhum...

    E por aí a fora foi, com um sermão comprido, que acabou depondo o doente num desvencido torpor."

                                      (Trecho de A hora e vez de Augusto Matraga)

 

5. (PUCCAMP) O trecho acima representa a seguinte possibilidade entre os caminhos da literatura contemporânea.

a) ficção regionalista, em que se reelabora o gênero e se revaloriza um universo cultural localizado.

b) narrativa de cunho jornalístico, em que a linguagem comunicativa retoma e reinterpreta fatos da história recente.

c) ficção de natureza politizante, em que se dramatizam as condições de classes entre os protagonistas.

d) prosa intimista, psicologizante, em que o narrador expõe e analisa os movimentos da consciência reflexiva.

e) prosa de experimentação formal, em que a pesquisa linguística torna secundária a trama narrativa.

 

6. (PUCCAMP) Liga-se a este trecho de Guimarães Rosa a seguinte afirmação:

a) É um exemplo de crise da fala narrativa, dissolvendo-se a história num estilo indagador e metafísico.

b) É uma arte marcada pelo grotesco, pela deformação, que coloca em cena tipos humanos refinadamente exóticos.

c) O autor recolheu lendas de interesse folclórico, que sabe recontar de modo documental, isento e objetivo.

d) Um universo rude e um plano místico se cruzam com frequência em sua obra, fundindo-se um no outro.

e) A miséria arrasta as personagens para a desesperança, reveando-se ainda na pobreza de sua expressão verbal.

 

7. (PUCCAMP) Sobre “A hora e vez de Augusto Matraga” é incorreto afirmar:

a) Depois de apanhar até quase morrer, Nhô Augusto passa a viver uma vida de penitências e duros trabalhos, numa tentativa de, pelo esforço do corpo, purificar a alma, comportamento típico de mártires e santos.

b) Nhô Augusto volta a sentir a sedução da violência quando depara-se com o bando de Seu Joãozinho Bem-Bem, mas resiste, ainda que a duras penas, para não comprometer seu plano de salvação.

c) No duelo final com Seu Joãozinho Bem-Bem percebe-se, como, em determinados momentos, as intenções e desejos mais egoístas podem se transformar em instrumentos de redenção do egoísmo e doação de si mesmo: Nhô Augusto faz o bem (ao salvar a família do velho da vingança de Seu Joãozinho Bem-Bem) – o que garantiria a salvação de sua alma – por meio da violência destruidora que sempre o fascinou.

d) Os jagunços no conto de Guimarães Rosa são irracionais e arbitrários e praticam a violência única e exclusivamente para satisfazer seus impulsos sanguinários.

e) A transformação de Nhô Augusto depois da surra pode ser interpretada como uma morte para a vida de maldades e um renascimento para a vida devota e contrita. Neste sentido, pode ser compreendida simbolicamente como parte de um rito de passagem, como o batismo cristão.

 

8. (MACK) Sobre o personagem principal de "A hora e vez de Augusto Matraga", de Guimarães Rosa, assinale a alternativa incorreta.

a) No decorrer da narrativa, aparece como Nhô Augusto, Augusto Estêves e Augusto Matraga.

b) No início, surge como um fazendeiro pacato, avesso a brigas e totalmente dedicado à família.

c) Por ordem de seu maior inimigo, é surrado, marcado a ferro e deixado praticamente morto.

d) Convidado por Joãozinho Bem-Bem a integrar seu grupo de jagunços, recusa tal oferta.

e) No duelo final, morre em consequência dos ferimentos recebidos, assim como seu opositor.

 

9. “Mas todos gostaram logo dele, porque era meio doido e meio santo; e compreender deixaram para depois.” A informação e a linguagem expostas nesse período nos remetem ao:

a) barroco português;

b) modernismo barroco;

c) barroco brasileiro;

d) classicismo;

e) modernismo heroico.

 

10. Considerando o primeiro conto de Sagarana, O Burrinho Pedrês, de João Guimarães Rosa, assinale a alternativa incorreta.

a) O burrinho Sete-de-Ouros, decrépito, mas predestinado, torna-se a primeira cavalgadura escolhida pelos vaqueiros do Major Saulo, os quais tinham que transportar uma boiada até uma cidade, donde deverá ser transportada por trem.

b) Durante a viagem chove muito. Os vaqueiros relatam casos do seu mundo: o caso do boi Calundu que, inexplicavelmente, mata Vadico, filho do Seu Neco Borges; e o caso de Leôncio Madureira, homem herodes, que vendia o gado e depois mandava cercar os boiadeiros na estrada, para matar e tomar de volta os bois.

c) Uma tragédia paira sobre as cabeças: Silvino quer matar Badu; a escuridão trevosa envolve a noite; a enchente embarga a travessia. Os vaqueiros enfrentam as trevas, com exceção de João Manico e Juca, sendo tragados pela fúria das águas daquela noite sinistra.

d) Apenas de salvam o Francolim e Badu, o primeiro agarrado à cauda de Sete-de-Ouros, o segundo à crina do prestimoso burrinho que, alquebrado, decrépito, desacreditado, salvara duas vidas humanas.

e) Em “O Burrinho Pedrês”, Guimarães Rosa procura mostrar, tendo como pano de fundo o mundo dos vaqueiros, que todos têm a sua hora e sua vez de ser útil. É o caso do burrinho Sete-de-Ouros: “a gente segue a esperteza mansa do bicho, a sua finura de instinto e inteligência que o faz poupar-se, furtar-se a choques e maus pisos e, por fim, orientar-se e salvar-se numa cheia onde os cavalos afogam, carregando um bêbado às costas e ainda outro náufrago enclavinhado no rabo”.

 

11. Sobre a linguagem usada por Guimarães Rosa, não podemos dizer que:

a) inventava palavras inesgotavelmente a fim de criar um mundo próprio para as suas narrativas.

b) procurava reconstituir os diálogos dos sertanejos das Minas Gerais;

c) até cometia erros ortográficos com o objetivo de resguardar a pronúncia correta de algumas palavras;

d) esforçava-se para registrar, como um historiador, a linguagem popular;

e) degenerava a sua própria linguagem para não se distanciar da fala do sertão mineiro.

 

12. Sobre Guimarães Rosa podemos afirmar que:

a) foi autor regionalista, seguindo a linha do regionalismo romântico.

b) inovou sobretudo nos temas, explorando tipos inéditos.

c) escreveu obra política de contestação à sociedade de consumo.

d) sua obra se revela intimista com raízes surrealistas.

e) inovou sobretudo o aspecto linguístico, revelando trabalho criativo na exploração do potencial da língua.

 

13. Leia o trecho abaixo, de João Guimarães Rosa, e responda a qual conto pertence.

 

    E assim se deu que, lá no povoado do Tombador, – onde, às vezes, pouco às vezes e somente quando transviados da boa rota, passavam uns bruaqueiros tangendo tropa, ou uns baianos corajosos migrando rumo sul, – apareceu, um dia, um homem esquisito, que ninguém não podia entender.

    Mas todos gostaram logo dele, porque era meio doido e meio santo; e compreender deixaram para depois.

    Trabalhava que nem um afadigado por dinheiro, mas, no feitio, não tinha nenhuma ganância e nem se importava com acrescentes: o que vivia era querendo ajudar os outros. Capinava para si e para os vizinhos do seu fogo, no querer de repartir, dando de amor o que possuísse. E só pedia, pois, serviço para fazer, e pouco ou nenhuma conversa.

    O casal de pretos, que moravam junto com ele, era quem mandava e desmandava na casa, não trabalhando um nada e vivendo no estadão. Mas, ele, tinham-no visto mourejar até dentro da noite de Deus, quando havia luar claro.

    Nos domingos, tinha o seu gosto de tomar descanso: batendo mato, o dia inteiro, sem sossego, sem espingarda nenhuma e nem nenhuma arma para caçar; e, de tardinha, fazendo parte com as velhas corocas que rezavam o terço ou os meses dos santos. Mas fugia às léguas de viola ou sanfona, ou de qualquer outra qualidade de música que escuma tristezas no coração.

 

a) O burrinho pedrês

b) Sarapalha

c) Minha gente

d) Corpo fechado

e) A hora e vez de Augusto Matraga

 

    gabarito

 
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