sexológica

vagina

         A genitália feminina começa nos grandes lábios e vai até a entrada do útero. Em seguida aos grandes lábios, temos o clitóris, depois os pequenos lábios, a uretra, a entrada da vagina e, por fim, a vagina, propriamente. Podemos chamar de vulva, o conjunto das partes externas da genitália feminina. Da vagina, mesmo, nós temos o introito (a entrada), as paredes e o fundo – o saco vaginal.
         Os grandes lábios são os guardiões do aparelho sexual das mulheres. Se uma genitália feminina estivesse completamente fechada, os primeiros portões a serem abertos seriam os grandes lábios. Eles existem para proteger a vulva e a vagina de eventuais pancadas e também contra as variações climáticas do ambiente. O corpo humano tem a sua própria temperatura e depende de sua estabilidade para funcionar satisfatoriamente.
         O mais próximo, o primeiro a ser revelado com a abertura dos grandes lábios é o clitóris. Justamente porque a sua principal função é perceber a temperatura externa. Ele é o mensageiro que autoriza o orgasmo à vagina. Ela depende de uma temperatura oposta e coincidente ou contrária e equivalente para expelir seus líquidos orgásticos com segurança ou não expulsá-los em vão.
         A temperatura oposta e equivalente a que me referi é aquela que o homem produz com os movimentos do coito. É contrária porque é masculina e coincidente porque apresenta o mesmo índice, ou aproximado, de calor. Na masturbação, as mulheres enganam o clitóris. Tocam-no com movimentos circulares ou pendulares até produzirem uma temperatura aproximada que, associada às fantasias da imaginação, permite o orgasmo.
         A propósito, a imaginação é muito importante na masturbação. Tanto que, por isso, os homens conseguem se masturbar com mais facilidade. Eles têm mais prática com a imaginação de suas fantasias sexuais, pois o conceito masculino de relação sexual é mais simples, é menos complexo que a concepção feminina. E também porque têm mais tempo de lida com esse tipo de prazer.
         Enquanto as mulheres, em geral, dependem de afinidades para desencadear a mecânica do orgasmo, os homens, a maioria, dispensam as afetividades, são reducionistas, ficam satisfeitos apenas com o relacionamento sexual. Assim fica mais fácil: basta imaginar uma transa com quem quer que seja e atingir o clímax.
         Os pequenos lábios são os portões internos da vulva. Guardam bens ainda mais preciosos que o clitóris. Além do serviço que prestam contra as variações climáticas e possíveis choques, protegem a uretra e o introito vaginal contra alguma infecção ou da invasão desagradável de algum inseto ou qualquer outro corpo estranho ao organismo.
         Antes do primeiro orgasmo ou da primeira transa, os pequenos lábios contam com a ajuda do hímen para defender a vagina. Depois, o hímen é substituído pelos líquidos vaginais próprios de uma mulher madura.
         A uretra é o canal por onde sai a urina. Se os homens ejaculam, urinam e excretam os resíduos dos seus hormônios sexuais pelo mesmo duto, as mulheres têm o clitóris para evacuar os restos dos seus hormônios sexuais, a vagina para ejacular e a uretra com a função de expelir a sua urina. Aliás, essa diferença é uma consequência da natureza convexa do homem e côncava da mulher.
         O óvulo é anatomicamente côncavo, pois a sua primeira missão, a de atrair o espermatozoide para o seu interior, depende de sua força contrátil. Aspirar o pênis e o esperma também são tarefas contráteis. A mulher possui canais especiais de excreção exatamente porque a sua ejaculação é para si mesma, é contrátil, e não seria, então, viável, excretar a urina e os resíduos dos seus hormônios sexuais no mesmo sentido.
         Já o espermatozoide é dinamicamente convexo, considerando que a sua primeira meta é alcançar o óvulo, atingir o seu centro e expandir. Penetrar a vagina e ejacular são incumbências da distratilidade. O homem excreta, urina e ejacula pelo mesmo canal, naturalmente porque são todos eventos distráteis. Não são necessários, portanto, dutos especiais.

DISTRÁTIL - o mesmo que centrífugo; usado como contrário de contrátil (capaz de sofrer contração).

         A entrada da vagina funciona como uma válvula, a qual se abre com a lubrificação das glândulas mais sensíveis da genitália feminina. Basta à maioria das mulheres uma pequena quantidade de calor centrífugo na região abaixo do ventre para que se inicie a lubrificação.
         O introito vaginal é o primeiro a se apresentar pronto para a cópula e não podia ser diferente, pois tem a responsabilidade de liderar os movimentos contráteis da mecânica orgástica feminina. O introito suga o pênis para que as paredes vaginais possam pressioná-lo.
         Dependendo da posição do útero, a vagina mede de sete a quatorze centímetros. Ela é formada por uma série de músculos capazes de abrigar um dedo ou o corpo de um bebê, em acordo com a necessidade. As paredes da vagina são extremamente vascularizadas para reter grande quantidade de sangue e calor e ser capaz de produzir seus líquidos sexuais.
         O sangue acumulado em volta da vagina e o calor produzido pela cópula dilatam os poros das paredes vaginais a fim de permitir a secreção dos líquidos lubrificantes e orgásticos e também a absorção do gás cromossômico liberado na destruição dos espermatozoides no saco vaginal. Os líquidos sexuais femininos destroem os espermatozoides impróprios à fecundação e liberam o gás cromossômico próprio ao recondicionamento fisiológico dos indivíduos.
         Da mesma maneira que o tamanho do pênis, a extensão da vagina pode ter alguma influência na quantidade ou na intensidade do prazer sexual. Não é insignificante o número de mulheres que preferem ser testadas ao máximo em sua capacidade de resistir aos arrojos masculinos, entretanto, também não é desprezível a quantidade de mulheres que sonham e se satisfazem com um falo rijo e quente, independente do tamanho.
         O Brasil é um dos países onde o debate que se promove a respeito da incongruência entre os portes dos órgãos sexuais masculinos e femininos é mais constante. Trata-se de um país onde se encontram as mais diversas raças do mundo e aqui a miscigenação é intensa. As comparações, então, são inevitáveis.
         Num país de baixa coexistência multirracial, os homens se esquecem de observar o pênis do outro porque todos são parecidos e as experiências sexuais femininas também são muito semelhantes. À grande diversidade de dotações genitais entre os brasileiros, acrescente os segredos que se fazem. É claro que ainda há muito que se conversar a respeito.
         O fundo da vagina, por fim, é como se fosse a cabeça do pênis virada pelo avesso. Lá está uma rede vascular muito resistente, pois, durante o orgasmo, retém a maior quantidade de sangue por milímetro cúbico fora do cérebro e, por isso, compõe o território vaginal onde a produção de líquidos orgásticos é maior. Logicamente, pois é lá que o órgão genital masculino ejacula, é lá que se encontram as partes mais íntimas do corpo humano para a consagração da vida. No saco vaginal. Os líquidos sexuais femininos destroem os espermatozoides impróprios à fecundação e liberam o gás cromossômico próprio ao recondicionamento fisiológico dos indivíduos.
         Na vagina, os líquidos orgásticos femininos saem pelos mesmos canais por onde entram as moléculas do gás cromossômico. Por que, no pênis, os líquidos sexuais masculinos saem pelo canal da uretra e as moléculas do gás cromossômico entram pelas papilas da glande?
         Os líquidos orgásticos masculinos transportam o sêmen masculino, portanto, eles não vêm da corrente sanguínea, para onde vão as moléculas do gás cromossômico. Já os líquidos sexuais femininos não transportam o óvulo, por isto não vêm dos ovários. Eles saem da corrente sanguínea, justamente o lugar para onde vai o gás cromossômico. Este é o motivo pelo qual os líquidos orgásticos femininos e as moléculas do gás cromossômico podem usar os mesmos canais no organismo feminino.